“Nosso regime político não se propõe tomar como modelo as leis de outros: antes somos modelo que imitadores. Como tudo nesse regime depende não de poucos, mas da maioria, seu nome é democracia. Nela, enquanto no tocante às leis todos são iguais para a solução de suas divergências particulares, no que se refere à atribuição de honrarias o critério se baseia no mérito e não na categoria a que se pertence; inversamente, o fato de um homem ser pobre não o impede de prestar serviços ao Estado.”
Trecho da Oração Fúnebre, de Péricles, segundo o livro
A Guerra do Peloponeso, do historiador Tucídides
O trecho acima do “Pai” da democracia Péricles, me faz refletir um pouco nos acontecimentos dos últimos dois dias.
O primeiro deles e que escrevemos aqui, é o falecimento da professora e ex-Primeira-dama (título, aliás que não gostava) Ruth Cardoso. Sei que para boa parte dos brasileiros, diante do falecimento de alguém conhecido (principalmente se esse alguém for ligado a política) o chavão: “bastou falecer pra virar santo!” é bastante comum, mas é com profundo pesar que comentamos aqui sobre uma pessoa aparentemente discreta, mas que ajudou a construir as bases dos atuais programas sociais governamentais. E que foi uma das precursoras dos estudos que tratavam da emergência dos movimentos sociais que abrigavam diversidades – como os feministas, étnico-raciais e de orientação sexual.
Uma pessoa que foi exilada e que sentiu na pele o peso de viver sob um regime autoritário. E pensando um pouco em sua história de vida fico triste em ver duas notícias que nos fazem pensar até que ponto nossa democracia é madura.
A primeira publicada no dia 25/06/2008 no Jornal da Tarde e no “Estadão” diz respeito a CENSURA a que foi submetido o JT, através de uma liminar concedida pelo juiz-substituto Ricardo Geraldo Rezende Silveira, da 10ª Vara Federal Cível de São Paulo, e que proibiu a publicação de uma reportagem sobre supostas irregularidades cometidas pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) – que estão sendo apuradas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). (Trecho em itálico extraído do Jornal da Tarde do dia 25/08/2008 )
A segunda provavelmente deverá ser públicada no caderno Cotidiano do jornal Folha de São Paulo no dia 26/06/2008 e que diz respeito a um grupo de evangélicos que tentou invadir o Congresso contra um projeto que criminaliza a homofobia. Esse grupo diz ter o “direito” de poder, digamos, manifestar-se contra os homossexuais.
Fico me perguntando o que a professora Ruth Cardoso acharia disso. Me lembro também que o evangelho Cristão pode resumir toda a sua doutrina na seguinte frase de Jesus: “Amai teu próximo como a si mesmo” . A você, que provavelmente lerá esse artigo, fica a responsabilidade de refletir sobre os assuntos escritos acima, a mim nesse momento só me lembro de um trecho da música “A Paz” do Gilberto Gil:
“Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós…”
Até o próximo post!!